O setor portuário é uma das apostas do Brasil para o crescimento econômico nacional. Com investimentos da ordem de R$ 1,5 bilhão, oriundos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), novos equipamentos e sistemas estão sendo implantados nos portos Aratu-Candeias, Salvador e Ilhéus, projetando a Autoridade Portuária da Bahia – Codeba para o mercado e adequando os portos públicos baianos para as demandas dos próximos cinquenta anos.
Considerando que o ano de 2024 foi o melhor da história da CODEBA, com o incremento na movimentação total dos portos da ordem de 8,5% e que existe uma janela de oportunidades junto ao mercado asiático, que projeta o aporte de R$ 15 bilhões para os próximos dez anos para os setores portuário e hidroviário, a Companhia estabeleceu um planejamento estratégico, que envolve investimentos em engenharia, modernização e incorporação de inovações tecnológicas para aumentar a competitividade portuária da Bahia.
Neste ano de 2025, a Codeba concentrou as ações na atualização tecnológica e transformação digital dos processos de gestão, nos controles de segurança física e cibernética, na implantação do sistema de VTMIS (Real-time traffic monitoring), que funciona como a torre de controle do porto em consonância com a Marinha, e nos projetos de dragagem na Baía de Todos-os-Santos e em Ilhéus, além do programa de descarbonização e eletrificação dos cais, iniciado no Porto de Salvador, com a instalação de tomadas para abastecimento elétrico dos rebocadores que fazem as manobras dos navios.
O presidente da Autoridade Portuária da Bahia, Antonio Gobbo, destaca que as melhorias já implementadas permitiram o aumento da eficiência operacional levando o Porto de Salvador, por exemplo, a atingir quase o limite de sua capacidade. “O esforço da gestão somado às alterações de layout operacional, à construção de acessos alternativos e, principalmente, ao pagamento do risco portuário permitiram que, muitas áreas que estavam bloqueadas para operação, pudessem ser reutilizadas. Somente em 2024, as operações no Porto de Salvador representaram 26,1%, maior percentual entre todos os portos brasileiros. Nosso plano é ampliar o cais para podermos atingir uma profundidade ainda maior”, sinalizou.
O Porto de Salvador é o primeiro porto organizado do país, inaugurado em 1913. O aprofundamento do canal de acesso para menos dezessete metros, cuja licitação já está em trâmite, bem como a ampliação do cais de doze para quatorze metros de extensão, permitirão um aumento significativo da capacidade necessária para a operação e a possibilidade de acomodar os navios de projetos, que serão utilizados nas próximas décadas, e cujo padrão é de 400 metros de cumprimento por 60 metros de largura.
As obras de infraestrutura logística também estão impactando positivamente na movimentação do Porto de Aratu-Candeias. Criado na década de setenta para atender à demanda do Pólo Petroquímico de Camaçari, hoje, com inauguração dos terminais de granéis sólidos ATU 12 e 18, este porto tem capacidade para processar granéis sólidos, sejam eles minerais ou grãos, o que deve prover um incremento de cerca de 30% em volume de cargas até o final do ano.
Na região Sul da Bahia, o Porto de Ilhéus apresenta um faturamento anual de quase R$ 20 milhões com as tarifas portuárias e, somente no primeiro semestre deste ano, movimentou 120 mil toneladas de carga. Um crescimento de 8,62% em relação ao mesmo período do ano passado. A realização da dragagem de manutenção devolveu a ele a profundidade operacional de 10 metros e, na próxima, prevista para 2026, a profundidade será ampliada para 14 metros, permitindo a atracação de navios maiores e aumentando ainda mais a competitividade do terminal no cenário logístico nacional. Outra iniciativa a ser destacada é a reativação do Moinho de Trigo, após 17 anos. Sua retomada vai impactar positivamente nos setores alimentício e agrícola e na economia baiana, com a expectativa de geração de, até, R$ 229 milhões em receitas nos próximos cinco anos.
Investimentos na Hidrovia do São Francisco
No mês de agosto, o Ministério de Portos e Aeroportos autorizou a Codeba a iniciar estudos técnicos para a reativação da Hidrovia do Rio São Francisco. A expectativa é de que, já no primeiro ano de operação comercial, a movimentação de cargas pelo “Velho Chico”, como carinhosamente é chamado, alcance cinco milhões de toneladas.
Antonio Gobbo, explica que a hidrovia integra um projeto maior e traz uma lógica importante para fechar o desenho estruturante logístico do Estado da Bahia. “Ela é tão grande e tão completa, que não é à toa que o Rio São Francisco é chamado de Rio da integração Nacional. A hidrovia empresta suporte, não apenas para a Ferrovia Centro-Atlântica, como também para todo sistema ferroviário que permeia o estado da Bahia e vai melhorar ainda mais a curva de demandas projetadas para a Ferrovia de Integração Oeste-Leste”, destaca.